
Esta história iniciou-se no dia vinte de Novembro do ano de 1977, altura em que o nosso herói foi feito para depois ser vendido nas lojas de brinquedos por altura do Natal. Mas algo correu mal, e o nosso amiguinho não ficou devidamente cosido. Como ninguém reparou ele seguiu a sua viagem, totalmente tranquilo, com os seus irmãos pensando ser igual a todos eles.
Porém quando chegou à loja e foi desembalado da sua confortável caixa, Tatty Teddy, viu a cara de espanto do empregado.
-Mano, o que é que eu tenho, que o empregado está a olhar para mim de maneira esquisita? -perguntou Tatty ao seu companheiro de caixa, pois tinha ficado intrigado com aquela cara.
-Estás descosido na zona da cara e isso fez com que quase todo o teu enchimento se perdesse. - Respondeu-lhe o seu irmão urso.
O nosso amigo nem queria acreditar no que o outro tinha dito, mas ao passar a mão na cara viu que era verdade e que tinha mesmo um buraco.
Após isto, o nosso amigo foi parar à arrecadação do armazém onde se encontravam todos os brinquedos defeituosos ou estragados, que precisavam de algum tipo de arranjo, havia lá desde bonecas sem braços, a carros sem rodas e até mesmo peluches sem olhos. Quando Tatty conheceu todos esses estranhos habitantes acabou por ficar amigo deles, embora ainda se sentisse triste, por estar num lugar tão escuro, húmido e solitário. Mesmo assim do que o nosso amigo mais tinha saudades era dos seus irmãos.
Tatty passou cerca de um mês, sem que ninguém o fosse buscar ou arranjar e ia vendo alguns dos seus amigos irem-se embora porque tinha chegado à sua vez de irem ser arranjados, até que um dia um homem com um ar estranho, vestido de jardineiras e boné foi buscá-lo. Claro que ele ficou todo contente, pois pensava que ia ser arranjado, mas depois viu que o iam levar para um grande contentor e apercebeu-se que não tinham levado os seus amigos para serem arranjados, mas sim para o pior sítio do mundo para os brinquedos, o lixo, Tatty apercebeu-se que já ninguém o queria e que não o iriam arranjar. Ao pensar em tudo isso, Tatty deixou rolar uma lágrima pela sua cara magra devido ao buraco que lhe tinha estragado todas as hipóteses de arranjar um família que o acolhece.
Tatty deixou-se levar pelas mãos robustas do homem até ao camião, para onde foi depois atirado misturando-se com cascas de banana e folhas de papel amachucadas.
Para Tatty aquela foi a pior viagem da sua vida, pois sentia-se só e abandonado no meio de tanta escuridão e por mais que tentasse escapar não conseguia. Quando de repente o camião parou ele espreitou por um pequenino buraco que havia na parede do camião e viu que estava à porta de uma lixeira. Para tatty aquele seria o fim da sua curta vida, iria ficar para ali abandonado até ao dia em que queimariam o lixo e ele fosse também queimado, desaparecendo sem ninguém ter sabido da sua existência.
Quando a porta do camião se abriu Tatty pensou que o iriam libertar mas de repente sentiu o camião a inclinar e caiu em cima de um grande monte de lixo. Depois de todo o lixo ter sido despejado o camião foi-se embora, deixando o nosso herói muito sozinho.
Ao fim do dia o dono da lixeira foi ver que lixo tinham ali deixado para ver se podia aproveitar alguma coisa e o nosso amiguinho chamou-lhe à atenção pois parecia estar em perfeito estado, até que ele reparou no buraco, porém ao contrário das outras pessoas, o senhor Ricardo, não fez uma cara de desagrado mas esboçou sim um grande sorriso.
-Não te preocupes pequenino vou arranjar-te e dar-te à minha filha Beatriz que tem cinco anos. - Disse ele.
O ursinho nem queria acreditar! Ia finalmente ter uma família, melhor ia ser arranjado, ele não se sentia tão feliz desde o dia em que tinha sido construido, e isso já tinha sido há muito tempo!
O senhor Ricardo levou o ursinho nas suas mãos que aqueciam o coração até à portaria onde arranjou um caixote com uma cama improvisada para deitar Tatty.
-Bem amiguinho, por hoje ficas aqui, amanhã logo veremos o que te irei fazer. - Disse o senhor Ricardo enquanto fechava a porta e a trancava.
Embora estivesse naquela sala sozinho, Tatty não se sentia triste, pois sabia que dentro de pouco tempo iria ter uma família e uma cama quentinha feita pela sua amiga Beatriz. Nessa noite Tatty dormiu como há muitas noites não dormia, nessa noite ele dormiu feliz, finalmente com a sensação de ser amado. Para Tatty aquele tinha sido o momento mais feliz da sua vida, apenas a ideia dos seus amigos puderem estar no frio da noite, sozinhos o deixava um pouco triste, mas se tudo corresse bem também eles iriam arranjar uma casa e uma família.
No dia seguinte, o senhor Ricardo quando chegou à portaria vinha acompanhado por uma senhora, Adelaide, sua mulher, que trazia na mão o que parecia ser um estojo de costura.
Quando Adelaide viu Tatty, a primeira reacção foi pegar nele e abraçá-lo. Como Tatty nunca tinha sido abraçado, foi experiência nova para ele, mas ele gostou, pois sentiu todo o afecto que aquela família lhe iria dar.
-Querida para que foi isso? - Perguntou Ricardo muito intrigado.
-É que este ursinho fez-me lembrar um que eu tinha em pequena e que eu adorava, mas que eu infelizmente perdi um dia na escola. Ainda hoje tenho pena de o ter perdido. -respondeu Adelaide ainda agarrada a Tatty e com uma lágrima ao canto do olho.
-Ah! Está bem. Olha mas dá para arranjá-lo e dar à Beatriz a tempo do Natal? - Perguntou Ricardo.
-Acho que sim. Ele só precisa de umas cosidelas aqui e ali e de um banho. - Respondeu-lhe a mulher enquanto olhava para o Tatty.
-Então olha, leva-o para casa arranja-o e depois põe-o dentro de uma caixa, com uma caminha, almofada e cobertor a imitar um quarto e depois deixa no nosso quarto, para a Beatriz não desconfiar, ok?
-Está bem, também a Beatriz agora está com a avó por isso só vou buscá-la quando estver despachada, para ter tempo de fazer tudo. - Disse Adelaide.
-Só espero que a Beatriz goste da prenda! - Disse de repente Ricardo à mulher.
-Claro que vai, ela adora peluches e ursinhos- respondeu-lhe Adelaide para tranquilizá-lo- bem agora tenho de ir, adeus querido.
-Até logo.
Enquanto Tatty era levado pelas mãos suaves e doces de Adelaide ia pensando em como ia ser bom ser arranjado.
Todo o processo de arranjo e lavagem foi lento mas no fim Tatty estava irreconhecível. Já estava gordinho pois Adelaide meteu-lhe algodão e já não tinha nenhum buraco, pois estavam todos remendados. Ele estava pronto para ser entregue à filha do senhor Ricardo.
Até ao Natal, Tatty não saiu da sua caixa, deixando-se estar debaixo do cobertor quentinho, que também tinha sido feito à sua medida, tal como a cama e toda a casinha que tinham feito para ele.
Quando chegou o dia de Natal, Tatty aventurou-se a sair da sua caixa e o que ele viu deixou-o completamente maravilhado, ele viu uma família extremamente unida que estava a pôr a mesa junta para aquela noite tão especial. Até a pequenina Beatriz ajudava dando os guardanapos à mãe!!!! O mais bonito era ver que estavam todos alegres e com esta bela visão a ansiedade que o ursinho tinha foi-se toda embora e sentiu-se muito feliz por o seu maior desejo ter sido concretizado, ele tinha encontrado a família que o iria amar para sempre. A pensar nisto Tatty foi novamente para a sua caixa, pois não podiam apanhá-lo fora dela e com aquele movimento todo o mais certo era darem de caras com ele no corredor!!! Tatty passou o resto do dia na sua cama e à noite quando chegou à hora de abrir os presentes, o senhor Ricardo foi lá buscá-lo e entregou-o a Beatriz. Tal como Adelaide tinha previsto Beatriz adorou o ursinho e nem quis saber dos outros brinquedos.
Finalmente Tatty tinha arranjado uma família e ele sabia que ali ele iria ter o amor que sempre procurara, sabia que naquela casa nunca o iriam abandonar, como já anteriormente tinham feito.
Beatriz nunca mais largou Tatty, nem quando ia para a escola, por isso quando as amigas a viam com o ursinho ficavam com inveja e como queriam ter um igual estavam sempre a pedir aos pais.
Hoje em dia Beatriz tem trinta anos, mas ainda conserva o seu ursinho, o primeiro de uma longa linhagem de ursos, a que Tatty deu o seu nome e a sua aparência, porém o original, o único que passou por angústias e tristezas, esse continua bem guardado e a ser muito amado como ele tantas vezes sonhou.
Como o nosso herói mostrou a esperança é a última a morrer, por isso nunca desistam dos vossos sonhos e lutem até ao fim pelos vossos desejos.
Porém quando chegou à loja e foi desembalado da sua confortável caixa, Tatty Teddy, viu a cara de espanto do empregado.
-Mano, o que é que eu tenho, que o empregado está a olhar para mim de maneira esquisita? -perguntou Tatty ao seu companheiro de caixa, pois tinha ficado intrigado com aquela cara.
-Estás descosido na zona da cara e isso fez com que quase todo o teu enchimento se perdesse. - Respondeu-lhe o seu irmão urso.
O nosso amigo nem queria acreditar no que o outro tinha dito, mas ao passar a mão na cara viu que era verdade e que tinha mesmo um buraco.
Após isto, o nosso amigo foi parar à arrecadação do armazém onde se encontravam todos os brinquedos defeituosos ou estragados, que precisavam de algum tipo de arranjo, havia lá desde bonecas sem braços, a carros sem rodas e até mesmo peluches sem olhos. Quando Tatty conheceu todos esses estranhos habitantes acabou por ficar amigo deles, embora ainda se sentisse triste, por estar num lugar tão escuro, húmido e solitário. Mesmo assim do que o nosso amigo mais tinha saudades era dos seus irmãos.
Tatty passou cerca de um mês, sem que ninguém o fosse buscar ou arranjar e ia vendo alguns dos seus amigos irem-se embora porque tinha chegado à sua vez de irem ser arranjados, até que um dia um homem com um ar estranho, vestido de jardineiras e boné foi buscá-lo. Claro que ele ficou todo contente, pois pensava que ia ser arranjado, mas depois viu que o iam levar para um grande contentor e apercebeu-se que não tinham levado os seus amigos para serem arranjados, mas sim para o pior sítio do mundo para os brinquedos, o lixo, Tatty apercebeu-se que já ninguém o queria e que não o iriam arranjar. Ao pensar em tudo isso, Tatty deixou rolar uma lágrima pela sua cara magra devido ao buraco que lhe tinha estragado todas as hipóteses de arranjar um família que o acolhece.
Tatty deixou-se levar pelas mãos robustas do homem até ao camião, para onde foi depois atirado misturando-se com cascas de banana e folhas de papel amachucadas.
Para Tatty aquela foi a pior viagem da sua vida, pois sentia-se só e abandonado no meio de tanta escuridão e por mais que tentasse escapar não conseguia. Quando de repente o camião parou ele espreitou por um pequenino buraco que havia na parede do camião e viu que estava à porta de uma lixeira. Para tatty aquele seria o fim da sua curta vida, iria ficar para ali abandonado até ao dia em que queimariam o lixo e ele fosse também queimado, desaparecendo sem ninguém ter sabido da sua existência.
Quando a porta do camião se abriu Tatty pensou que o iriam libertar mas de repente sentiu o camião a inclinar e caiu em cima de um grande monte de lixo. Depois de todo o lixo ter sido despejado o camião foi-se embora, deixando o nosso herói muito sozinho.
Ao fim do dia o dono da lixeira foi ver que lixo tinham ali deixado para ver se podia aproveitar alguma coisa e o nosso amiguinho chamou-lhe à atenção pois parecia estar em perfeito estado, até que ele reparou no buraco, porém ao contrário das outras pessoas, o senhor Ricardo, não fez uma cara de desagrado mas esboçou sim um grande sorriso.
-Não te preocupes pequenino vou arranjar-te e dar-te à minha filha Beatriz que tem cinco anos. - Disse ele.
O ursinho nem queria acreditar! Ia finalmente ter uma família, melhor ia ser arranjado, ele não se sentia tão feliz desde o dia em que tinha sido construido, e isso já tinha sido há muito tempo!
O senhor Ricardo levou o ursinho nas suas mãos que aqueciam o coração até à portaria onde arranjou um caixote com uma cama improvisada para deitar Tatty.
-Bem amiguinho, por hoje ficas aqui, amanhã logo veremos o que te irei fazer. - Disse o senhor Ricardo enquanto fechava a porta e a trancava.
Embora estivesse naquela sala sozinho, Tatty não se sentia triste, pois sabia que dentro de pouco tempo iria ter uma família e uma cama quentinha feita pela sua amiga Beatriz. Nessa noite Tatty dormiu como há muitas noites não dormia, nessa noite ele dormiu feliz, finalmente com a sensação de ser amado. Para Tatty aquele tinha sido o momento mais feliz da sua vida, apenas a ideia dos seus amigos puderem estar no frio da noite, sozinhos o deixava um pouco triste, mas se tudo corresse bem também eles iriam arranjar uma casa e uma família.
No dia seguinte, o senhor Ricardo quando chegou à portaria vinha acompanhado por uma senhora, Adelaide, sua mulher, que trazia na mão o que parecia ser um estojo de costura.
Quando Adelaide viu Tatty, a primeira reacção foi pegar nele e abraçá-lo. Como Tatty nunca tinha sido abraçado, foi experiência nova para ele, mas ele gostou, pois sentiu todo o afecto que aquela família lhe iria dar.
-Querida para que foi isso? - Perguntou Ricardo muito intrigado.
-É que este ursinho fez-me lembrar um que eu tinha em pequena e que eu adorava, mas que eu infelizmente perdi um dia na escola. Ainda hoje tenho pena de o ter perdido. -respondeu Adelaide ainda agarrada a Tatty e com uma lágrima ao canto do olho.
-Ah! Está bem. Olha mas dá para arranjá-lo e dar à Beatriz a tempo do Natal? - Perguntou Ricardo.
-Acho que sim. Ele só precisa de umas cosidelas aqui e ali e de um banho. - Respondeu-lhe a mulher enquanto olhava para o Tatty.
-Então olha, leva-o para casa arranja-o e depois põe-o dentro de uma caixa, com uma caminha, almofada e cobertor a imitar um quarto e depois deixa no nosso quarto, para a Beatriz não desconfiar, ok?
-Está bem, também a Beatriz agora está com a avó por isso só vou buscá-la quando estver despachada, para ter tempo de fazer tudo. - Disse Adelaide.
-Só espero que a Beatriz goste da prenda! - Disse de repente Ricardo à mulher.
-Claro que vai, ela adora peluches e ursinhos- respondeu-lhe Adelaide para tranquilizá-lo- bem agora tenho de ir, adeus querido.
-Até logo.
Enquanto Tatty era levado pelas mãos suaves e doces de Adelaide ia pensando em como ia ser bom ser arranjado.
Todo o processo de arranjo e lavagem foi lento mas no fim Tatty estava irreconhecível. Já estava gordinho pois Adelaide meteu-lhe algodão e já não tinha nenhum buraco, pois estavam todos remendados. Ele estava pronto para ser entregue à filha do senhor Ricardo.
Até ao Natal, Tatty não saiu da sua caixa, deixando-se estar debaixo do cobertor quentinho, que também tinha sido feito à sua medida, tal como a cama e toda a casinha que tinham feito para ele.
Quando chegou o dia de Natal, Tatty aventurou-se a sair da sua caixa e o que ele viu deixou-o completamente maravilhado, ele viu uma família extremamente unida que estava a pôr a mesa junta para aquela noite tão especial. Até a pequenina Beatriz ajudava dando os guardanapos à mãe!!!! O mais bonito era ver que estavam todos alegres e com esta bela visão a ansiedade que o ursinho tinha foi-se toda embora e sentiu-se muito feliz por o seu maior desejo ter sido concretizado, ele tinha encontrado a família que o iria amar para sempre. A pensar nisto Tatty foi novamente para a sua caixa, pois não podiam apanhá-lo fora dela e com aquele movimento todo o mais certo era darem de caras com ele no corredor!!! Tatty passou o resto do dia na sua cama e à noite quando chegou à hora de abrir os presentes, o senhor Ricardo foi lá buscá-lo e entregou-o a Beatriz. Tal como Adelaide tinha previsto Beatriz adorou o ursinho e nem quis saber dos outros brinquedos.
Finalmente Tatty tinha arranjado uma família e ele sabia que ali ele iria ter o amor que sempre procurara, sabia que naquela casa nunca o iriam abandonar, como já anteriormente tinham feito.
Beatriz nunca mais largou Tatty, nem quando ia para a escola, por isso quando as amigas a viam com o ursinho ficavam com inveja e como queriam ter um igual estavam sempre a pedir aos pais.
Hoje em dia Beatriz tem trinta anos, mas ainda conserva o seu ursinho, o primeiro de uma longa linhagem de ursos, a que Tatty deu o seu nome e a sua aparência, porém o original, o único que passou por angústias e tristezas, esse continua bem guardado e a ser muito amado como ele tantas vezes sonhou.
Como o nosso herói mostrou a esperança é a última a morrer, por isso nunca desistam dos vossos sonhos e lutem até ao fim pelos vossos desejos.
[escrita em 2007]
Nenhum comentário:
Postar um comentário